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Liberta-te Mãe África - Ernesto Moamba

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UMA NOVA VOZ NASCE DO ESQUECIMENTO

 

 

Tambor está velho de gritar

Oh velho Deus dos homens

deixa-me ser tambor

corpo e alma só tambor

só tambor gritando na noite quente dos trópicos

 

 

Com estes versos de clemência, José Craveirinha, poeta moçambicano, vencedor do mais importante prêmio de língua portuguesa, o Prêmio Camões, sintetiza o desejo de toda uma literatura. Pelo que se pode observar neste Liberta-te, mãe África!, de autoria do jovem Ernesto Moamba, o tambor se renova, sim. E se renova com a clarividência dos que praticam a poesia não apenas como um grito típico dos que agonizam e/ou dos que acusam. Vai além: explora a beleza lírica de cada verso e convoca a renovação do olhar em cada verso.

Seu livro de estreia é também uma porta de acesso à tradição africana e ao que há de mais moderno na poesia de língua portuguesa, ainda que o tema abordado seja único no decorrer de todo o trabalho: a África e suas dores.

Num momento em que Moçambique orgulha-se de nomes como Craveririnha e Mia Couto, este também vencedor do Prêmio Camões e do Prêmio Internacional Neustadt; e evoca as desesperanças de um país encravado na pobreza, na miséria, e nos sofrimentos que deles decorrem, alimentar o sonho de se poder pensar em uma nova voz, altiva, límpida, certeira, e que se comunica (de uma ponta à outra, feito uma azagaia) com as variantes poéticas dos povos lusófonos é o tom deste livro do jovem Ernesto. Sua poesia vai de Fernando Pessoa, em sua dicção humanamente ampla, de imagens nítidas, como nos versos de Despido (Sou o silêncio/Levando nos bolsos/Uns trocados de vida), à comunicação revolvedora e alusiva à terra, berço do homem, típica da poesia do brasileiro Salgado Maranhão, uma das mais expressivas e originais vozes da atual poesia de língua portuguesa, caso do poema Outra Rota: (Já não vagueio entre a linha férrea do/Comboio./Só entre terras de aboio).

Ernesto Moamba sabe que o caminho é longo, e sabe, por uma condenação que a própria natureza o impôs, que ao verdadeiro poeta é dado o dom de cantar sobre a flor da esperança, e ele canta.

O tambor se renova!

 

Nathan Sousa

Poeta e escritor brasileiro

Prêmio José de Alencar 2015, da UBE.

 

 

Cover_front_perspective

Número de páginas: 114 

Edição: 1(2016) 

ISBN: 9781534791718 

Formato: A5 148x210 

Coloração: Preto e branco 

Acabamento: Brochura c/ orelha 

Tipo de papel: Offset 75g

De R$ 35,00 por

R$ 34,00

Economia de R$ 1,00

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